Comportamento

O homem da minha vida

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Tenho 18 anos. Não é muuuuita coisa. O máximo que vivi foi a fase conturbada da escola, e a liberdade da adolescência que logo irá acenar e dizer tchau. Mas você sabe como é cabeça de menina. A gente na maioria das vezes vê filmes de princesa, conto de fadas e vivemos nos questionando quando o príncipe encantado vai chegar. E aí, na escola, a gente se depara com vários “sapos”, que são mais infantis do que tudo. Na adolescência, parece que os sapos viram cachorros sem dono, porque querem somente se  divertir e não se apegar a alguém, como se fosse um pecado mortal perder as festinhas, e bebedeiras para passar um tempo com uma pessoa só, que ama. 

E é aí que eu quero chegar. Eu estou vivendo essa fase ainda, e não me vejo desta maneira. Quer dizer, aquela menininha que precisa de um príncipe ainda está viva aqui dentro e se questiona sempre aonde será que ele está. Ou melhor, será que ele existe mesmo? 

Engraçado é que quando estava pensando nisso, nessa coisa de “em que lugar estará o homem da minha vida”,  olhei para o lado e me deparei com meu pai. Ele viu essa mocinha aqui crescer e acompanhou cada passo, desde a primeira ida ao dentista até o chororô que eu fazia quando estava nas primeiras semanas da aula, em uma escola tão grande, que dava para fazer pelo menos dois estádios de futebol. Ele preparava mamadeira par mim de madrugada, ia comigo no cinema, e sempre comprava remédios quando eu ficava doente. Ligava até para os 50 amigos médicos para se certificar de que o remédio era o certo. E quando uma professora dizia que eu não estava indo bem na aula, ele não me pressionava e me respeitava, confiando que eu estava dando meu melhor. 

Nunca me ajudou com nenhuma lição e trabalho, mas na compra dos materiais, ele ia comigo fazer a lista do que ia precisar ou não. AAAA sem contar compras de looks. Ele não curtia muito, mas dizia que eu tinha que buscar algo que me sentisse confortável. A gente ria demais de algumas situações da escola, de amigas, e ele me contava coisas que ele viveu. Eu não perdia chances de envergonhá-lo. Se viesse uma mulher interessada nele, eu chegava do nada e falava algo do tipo ” papai, tem um sorvete ali.” e a mulher saía de fininho. Acabei com os esquemas dele hahaha Só a palavra “papai” já dava um gelo.  Mas enfim, eu peguei esse punhado de lembranças e coloquei na balança. Que dizer, será que um dia vou conhecer um príncipe encantado que irá ter um cuidado assim comigo? 

Tudo bem, não posso misturar a função de pai, com a função de um marido. Mas posso comparar a questão dos detalhes, da atenção comigo e da forma de cuidar, certo? Sei que muitos vão dizer “ah mas ele é seu pai, não faz mais do que a obrigação dele.” Mas, há tantos pais e filhos que sequer tem a chance de se falar, ou sequer tem carinho. Muitos mal conhecem os pais, por diversos motivos. Porque fugiu, porque é orfão, porque o pai não quis assumir… E um marido, bem, um marido ao meu ver, deve se preocupar comigo na mesma intensidade que o meu pai. Foi aí que me toquei. 

No momento, o homem da minha vida é o meu pai. O cara que me ama incondicionalmente e que dá o melhor para mim. Eu sei que um dia, esse papel vai ser substituído por outro homem, aquele que eu tanto esperava por estes anos. Mas enquanto isso, vou aproveitar o tempinho que me resta com este príncipe aqui, de 60 e poucos anos, e que não mede amor para  me dar. 

 

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